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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Vencer a compulsão alimentar

Uma droga. Um vício em forma de bolos, tortas, arroz e biscoitos. A comida é uma inimiga e a cozinha, o caminho mais curto para se chegar ao fundo do poço. O mal tem nome: transtorno de compulsão alimentar. Faz vítimas, sem escolher: homens e mulheres, jovens ou não.
O primeiro sinal do distúrbio, na maior parte das vezes, é visível no corpo. A silhueta fica cada vez mais redonda e a balança acusa um ganho de peso contínuo.

Na verdade, os estudos sobre o transtorno de compulsão alimentar periódica são recentes. Os primeiros datam de 1994. Desde então, pesquisadores já descobriram, por exemplo, que os assaltos aos frigoríficos e despensas ocorrem a partir do fim da tarde e seguem noite adentro.

Uma das hipóteses para a preferência de horário é que o compulsivo tem mais privacidade em casa do que em outros locais, como o trabalho. Longe dos olhares dos colegas e de amigos, não passa vergonha por causa do exagero.

O traço mais marcante dos comedores compulsivos é a ansiedade e a tendência à depressão. São pessoas com sentimento de culpa, remorso, vergonha e solidão. A comilança descontrolada é causada, na maior parte dos casos, por distúrbios emocionais, e não adianta recorrer a regimes radicais.

O período de abstinência dura pouco, e um alimento tentador ou uma situação que mexa com as emoções pode desencadear a compulsão novamente.

Desconhecer o que acontece é derrota quase certa na balança. Como não emagrece, cresce a ansiedade, que leva a novos ataques de comilança. As invasões aos frigoríficos e despensas nunca são em busca de vegetais.

São sempre por alimentos ricos em carboidratos, como doces, massas, ou gorduras, como chocolates. Uma das hipóteses é que a ingestão desses alimentos possa, eventualmente, reduzir a ansiedade e a depressão, proporcionando um conforto momentâneo.

A obesidade associada ao transtorno de compulsão alimentar periódica tem solução: a psicoterapia e o uso de medicamentos, em alguns casos. A psicoterapia indicada é do tipo cognitiva comportamental, em que a pessoa identifica o que causa a compulsão e aprende técnicas para controlá-la.

O tratamento funciona, principalmente para obesos não acomodados com o problema e convencidos de que vale a pena mudar.